O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, chamou atenção para os impactos que conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio, podem ter sobre os preços dos alimentos no Brasil.
Teixeira explicou que a instabilidade global influencia diretamente o custo da produção agrícola: “O preço do petróleo interfere na produção. Os preços da carne, da soja, do milho e de outros produtos estão precificados em dólar. Por isso que qualquer alteração nos preços internacionais e no dólar, afeta a economia brasileira, e esses preços são transmitidos para o preço dos alimentos”, afirmou.
Referência em sustentabilidade
Apesar das preocupações, o ministro Paulo Teixeira demonstrou otimismo ao defender que o Brasil deve manter sua posição como referência em sustentabilidade e cooperação internacional. “A gente tem que continuar sendo essa civilização da sustentabilidade, da inclusão, do crescimento, da convivência entre os diferentes países e da paz”, disse durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”.
Risco para combustiveis e insumos
O alerta do ministro encontra respaldo em análises que apontam riscos tanto para combustíveis quanto para insumos agrícolas. Para Samuel Isaak, especialista em commodities agrícolas da XP Investimentos, o conflito pressiona não apenas os preços energéticos, mas também os insumos agrícolas. Isaak destaca que o Irã é grande importador de milho e que, em cenários de guerra, os fluxos comerciais tendem a se manter, mas com custos mais elevados. Além disso, há risco de encarecimento dos fertilizantes, fundamentais para a produção brasileira.
Pressão inflacionária sobre alimentos
Segundo André Braz, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o conflito amplia a pressão inflacionária sobre os alimentos no Brasil por conta do frete e da logística, enquanto a alta dos fertilizantes compromete a competitividade da agricultura nacional. Para Braz, “o Brasil pode até se beneficiar da alta do petróleo como exportador, mas o efeito líquido para o consumidor é negativo”.
Custos internos
O economista da FGV explica que os custos internos sobem e a inflação de alimentos tende a se intensificar.
Já o Insper Agro Global avalia que o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, representa risco imediato para o agronegócio brasileiro.
Ruptura logística
A instituição alerta que rupturas logísticas podem elevar preços de insumos e reduzir margens de produtores nacionais, exigindo adaptação rápida do setor.
Impactos diretos para o Brasil
• Combustíveis mais caros: aumento do petróleo eleva custos de transporte e produção agrícola.
Commodities
A pressão também recai sobre commodities agrícolas como soja, milho e carne sofrem com valorização internacional, além dos fertilizantes. Especialistas avaliam que dependência de importações torna o Brasil vulnerável a encarecimento. Por fim, preveem que o preço na cesta básica vai subir.
Reforma agrária
Para o ministro Paulo Teixeira, o Brasil tem o dever de fazer reforma agrária. Segundo ele, o tema é essencial para garantir o fortalecimento da agricultura familiar e a diminuição das desigualdades no campo. “O programa de reforma agrária garante produção de alimentos, diminuição das desigualdades e desenvolvimento agrário”, diz.
Mercosul-UE
O ministro também destacou o acordo entre Mercosul e União Europeia como uma oportunidade estratégica para ampliar mercados sem prejudicar a agricultura familiar. “A nossa agricultura é muito potente e, com esse acordo, 700 milhões de consumidores terão acesso aos produtos brasileiros”.
Transição
Teixeira diz que Mercosul-UE será a maior área de livre comércio do mundo. Segundo ele, o acordo foi um ganho do presidente Lula. E pontua que o Brasil terá um período para fazer essa transição, para preparar o mercado brasileiro para produtos europeus e o mercado europeu para produtos brasileiros.