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CORREIO ECONÔMICO | Governo fecha janeiro no azul: sobrou R$ 103,7 bil nas contas

por Editor 2 de março de 2026
2 de março de 2026 0 comentários
Mesmo com superávit, país acumula déficit de R$ 55,4 bi | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Em janeiro de 2026, o governo conseguiu fechar as contas no azul, com superávit de R$ 103,7 bilhões. Apesar disso, os juros altos e o peso da dívida continuam preocupando. Nos últimos 12 meses, o país ainda acumula déficit de R$ 55,4 bilhões. Comparando com janeiro de 2025, o saldo foi um pouco menor – naquela época o superávit tinha sido de R$ 104,1 bilhões.

Mesmo com esse bom resultado no mês, olhando para os últimos 12 meses o setor público ainda está no vermelho: o déficit acumulado é de R$ 55,4 bilhões, o que representa 0,43% de tudo que o país produz (PIB).

As estatísticas fiscais foram divulgadas pelo Banco Central (BC).

Déficit de R$ 55,4 bilhões

Em 12 meses, o setor público consolidado foi deficitário em R$ 55,4 bilhões, 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Em janeiro, a conta do Governo Central teve superávit primário de R$ 87,3 bilhões ante resultado negativo de R$ 83,2 bilhões em janeiro de 2025. O montante difere do resultado divulgado pelo Tesouro Nacional, de déficit de R$ 86,9 bilhões, porque o BC usa uma metodologia diferente, que leva em conta a variação da dívida dos entes públicos.

Governos estaduais e municipais

Os governos regionais – estaduais e municipais tiveram resultado positivo de R$ 21,3 bilhões em janeiro passado contra R$ 22 bilhões em igual mês de 2025, contribuindo para aumentar o superávit das contas públicas.

Em sentido contrário, as empresas estatais federais, estaduais e municipais – excluídas dos grupos Petrobras e Eletrobras – contribuíram para a redução do superávit das contas consolidadas, com o resultado negativo de R$ 4,9 bilhões em janeiro. No mesmo mês de 2025, houve déficit de R$ 1 bilhão.

Gastos com juros de R$ 63,3 bilhões

Os gastos com juros ficaram em R$ 63,6 bilhões no mês passado, influenciados pela alta da taxa básica de juros – Selic – e do estoque do endividamento líquido no período. Com isso, o resultado nominal das contas públicas – formado pelo resultado primário e os juros – caiu, na comparação interanual. No mês de janeiro, o superávit nominal ficou em R$ 40,1 bilhões.

Em 12 meses

Em 12 meses encerrados em janeiro, o setor público acumula déficit R$ 1,1 trilhão, ou 8,49% do Produto INterno Bruto (PIB).

O resultado nominal é levado em conta pelas agências de classificação de risco ao analisar o endividamento de um país, indicador observado por investidores.

Dívida líquida

A dívida líquida do setor público – balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais – chegou a R$ 8,3 trilhões em janeiro, o que corresponde a 65% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país), redução de 0,3 ponto percentual do PIB no mês.

Redução

A redução se deve ao superávit primário do mês, à variação do PIB nominal e aos ajustes da dívida externa líquida, compensados pelos juros nominais apropriados e pela apreciação cambial de 4,9% em janeiro. Como o país é credor em moeda estrangeira, um aumento do dólar significa aumento da dívida líquida.

Dívida bruta

No mês passado, a dívida bruta do governo geral (DBGG) – que contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais – chegou a R$ 10,1 trilhões ou 78,7%, mesmo percentual do PIB observado no mês anterior. Assim como o resultado nominal, a dívida bruta é usada para traçar comparações internacionais.

BC prejuízo I

Após um ano de lucro, o Banco Central (BC) fechou o balanço no negativo, por causa da queda do dólar. Depois de registrar lucro de R$ 270,9 bilhões em 2024, a instituição teve prejuízo de R$ 119,97 bilhões em 2025. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o balanço do órgão no ano passado.

BC prejuízo II

Em relação às operações cambiais, como swap (venda de dólares no mercado futuro) e variação das reservas internacionais, houve prejuízo de R$ 150,26 bilhões em 2025. Isso ocorre porque o dólar caiu 11,18% no ano passado, o que provoca perdas na hora de converter as operações cambiais para reais.

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