A primeira fase do Plano de Desligamento Voluntário (PDV) dos Correios atraiu pouco menos de dois mil funcionários, número considerado aquém da meta inicial de 10 mil desligamentos ainda em 2026. A expectativa da estatal é alcançar 15 mil adesões até 2027, o que poderia gerar uma economia anual estimada em R$ 2,1 bilhões.
Nos bastidores, há preocupação com o ritmo lento da iniciativa conduzida pelo atual presidente da empresa pública, Emmanoel Rondon. O prazo para inscrições segue aberto até 31 de março, mas a experiência anterior não é animadora: em 2025, sob a gestão de Fabiano Silva dos Santos, apenas 3,6 mil empregados aderiram ao programa.
As regras atuais são semelhantes às do plano anterior, com indenizações limitadas a R$ 600 mil. Esse teto, segundo os Correios, reduz o interesse de servidores em cargos mais altos. Para tentar ampliar a atratividade, a empresa pública ofereceu um novo plano de saúde extensível a familiares, além de sinalizar o fechamento de pelo menos mil unidades como forma de incentivo.
Medidas
O PDV integra um pacote de medidas para enfrentar a crise financeira da estatal, que registrou prejuízo recorde. Entre as ações estão o leilão de imóveis, com expectativa de arrecadar R$ 1,5 bilhão, a renegociação de dívidas e a busca por novas parcerias comerciais.
Essas iniciativas são sustentadas por um empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no fim de 2025 com cinco bancos. O governo já autorizou a concessão de novo crédito de até R$ 8 bilhões em 2026, com garantia da União, ampliando o limite de operações de crédito para os Correios.
Apesar do reforço financeiro, o desafio central permanece: convencer mais funcionários a aderirem ao desligamento voluntário, condição considerada essencial para reduzir custos estruturais e tentar reverter a pior crise da história da empresa.
Sindicatos
As entidades que representam os trabalhadores dos Correios tem se posicionado de forma crítica em relação ao PDV. A Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), que reúne milhares de empregados, já manifestou indignação em ocasiões anteriores diante da condução do programa, apontando falta de clareza e mudanças repentinas nas regras de desligamento. A entidade considera que o PDV não oferece condições suficientemente atrativas para os funcionários e alerta que a medida pode fragilizar ainda mais a estrutura da empresa, sem resolver os problemas financeiros de fundo.
Já a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios (FINDECT) também acompanha o tema e costuma criticar iniciativas que, na visão da categoria, transferem o peso da crise para os empregados. A federação defende que a saída para a estatal passa por investimentos e melhorias na gestão, e não apenas pela redução de pessoal.