Apesar da alta nominal de 4,1% no faturamento ao longo de 2025, o ano encerrou com retração de 1% em termos reais, quando descontada a inflação. Os dados são do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que aponta o segundo ano consecutivo de queda real no setor.
Em 2024, a retração havia sido de 0,8%. O resultado reflete um ano marcado por consumo mais cauteloso, pressionado pelo impacto acumulado da inflação — especialmente no primeiro semestre — e por um consumidor cada vez mais racional e seletivo nas decisões de compra. Mesmo com a desaceleração dos preços ao longo da segunda etapa do ano, o alívio não foi suficiente para reverter o desempenho real negativo do varejo no acumulado do ano.
Resultados
Em dezembro, o varejo apresentou retração real de 1,9%. O desempenho do mês foi influenciado por fatores pontuais, como o efeito calendário — com uma quarta-feira no lugar de um domingo em relação ao ano anterior — e pelo avanço do e-commerce, que registrou crescimento nominal de 6%.
Alimentação
Entre os setores, Serviços apresentou queda real de 5,2% em dezembro, com destaque negativo para Alimentação – Bares e Restaurantes. Bens não duráveis cresceram 0,4%, impulsionados por Supermercados e Hipermercados, enquanto Bens duráveis e semiduráveis recuaram 4,5%.
e-commerce
O e-commerce se consolidou como um dos pilares do varejo. O canal digital apresentou desempenho superior ao das vendas presenciais, beneficiado pela busca por conveniência, maior comparação de preços e pela reação de categorias mais sensíveis aos juros. “Apesar de um cenário desafiador no resultado real de dezembro, vimos sinais importantes”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo.
Serviços
No ano passado, os principais setores apresentaram desempenho negativo em termos reais. O setor de Serviços recuou 1,9% em 2025, com destaque negativo para Alimentação – Bares e Restaurantes. Por outro lado, Turismo e Transporte se destacaram positivamente ao longo do ano, impulsionados pelo aumento do fluxo de turistas estrangeiros, pela abertura de novas rotas internacionais e pela realização de grandes eventos no país.
4º trimestre
No quarto trimestre de 2025, o varejo manteve a trajetória de enfraquecimento em termos reais. O ICVA apontou queda de 1,8% no período, descontada a inflação. O setor de Serviços recuou 3,9%, enquanto Bens duráveis e semiduráveis apresentaram retração de 4,2%. Já Bens não duráveis cresceram 0,2%.
Bens não duráveis
O setor de Bens não duráveis apresentou leve retração de 0,2% no ano. O desempenho foi sustentado principalmente por Drogarias e Farmácias, enquanto segmentos como Livrarias e Papelarias registraram as maiores quedas. Já Bens duráveis e semiduráveis tiveram recuo mais intenso, de 2,6%, apesar do desempenho positivo do setor de Móveis, Eletro e Departamentos, que ajudou a atenuar a queda do grupo. Por outro lado, o segmento de Óticas e joalherias teve recuo mais intenso para o setor.
Metodologia
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados, de pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral é definido pelo seu desempenho no mês. O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo.
Mercosul-UE
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia está bem encaminhado, disse o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Segundo ele, o governo brasileiro mantém uma postura otimista sobre a conclusão das negociações.
Otimismo
“Quero reiterar que nós estamos otimistas e é muito importante para o Mercosul, para a União Europeia e para o comércio global que, no momento de guerras, de conflitos, de geopolítica instável, de protecionismo, será o maior acordo do mundo”, disse Alckmin após anunciar o resultado da balança comercial.