Ele já esteve na mira da privatização, do desmonte, teve gastos absurdos e a agora depende de um aporte do Tesouro Nacional para ficar de pé. O empréstimo aos Correios, que antes deveria ser R$ 20 bilhões – negados pelo Tesouro Nacional – agora de ficar próximo de R$ 6 bilhões. A informação é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Segundo ele, o governo avalia alternativas para reforçar o caixa da empresa, incluindo a possibilidade de combinar o aporte com um empréstimo, que pode ser liberado ainda este ano, embora não haja decisão final.
Haddad destacou que há espaço fiscal em 2025 para aporte, mas reforçou que a medida não está definida.
Tratativa
A tratativa intensificou-se após o Tesouro negar um pedido de R$ 20 bilhões feita pela estatal. A nova proposta prevê reduzir o valor do crédito para algo entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões, de modo a permitir que a empresa obtenha juros mais baixos no mercado. Foi o custo elevado da operação que motivou o veto inicial.
Juros mais baixos
A nova proposta de ajuda aos Correios prevê reduzir o valor do crédito para algo entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões, de modo a permitir que a empresa obtenha juros mais baixos no mercado. Foi justamente o custo elevado da operação (R$ 20 bilhões) que motivou o veto inicial do Tesouro.
Encontro com Hugo Motta
O ministro Haddad deu as declarações após se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), por cerca de quatro horas no início da semana.
O encontro, na residência oficial da Presidência da Câmara, discutiu projetos que o governo quer que sejam aprovados antes da votação do Orçamento de 2026, prevista para a próxima semana.
Inicialmente, os Correios cogitavam receber um reforço de caixa de R$ 6 bilhões do Tesouro.
Crédito por PLN
O aporte pode ser viabilizado por meio de crédito extraordinário ou via Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN), caso o governo considere necessário. Ambas as alternativas ainda estão em avaliação pela equipe econômica. Além da injeção direta de recursos, o governo discute oferecer aval para um empréstimo.
Emergencial
A direção dos Correios aguarda um aporte emergencial do Tesouro Nacional até 16 de dezembro para honrar os compromissos de fim de ano da estatal, como o pagamento da folha de salários, do 13º e de fornecedores. O aporte emergencial agora daria um fôlego para que a estatal mantenha as operações e continue as negociações.
Sem bonificação
Enquanto isso, a ordem na estatal é cortar gastos. E não ficou de fora nem mesmo a bonificação de Natal dos funcionários. Diante da crise, os Correios cancelaram o Vale Peru, no valor de R$ 2,5 mil, que foi pago em duas parcelas a cada um dos trabalhadores em 2024, após um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
ACT
Os Correios prorrogaram até 16 de dezembro o ACT, que contém cerca de 70 cláusulas sociais e econômicas, como ajuste de salários e do vale-refeição. Na próxima terça-feira, a direção da empresa tratará do tema com dirigentes sindicais. O ACT venceu em meados do ano e tem sido prorrogado consecutivamente.
Como resgatar
O ministro reiterou que qualquer ajuda financeira será condicionada ao plano de reestruturação da estatal.
“Nós sempre estamos condicionando tudo a um plano de reestruturação. Os Correios precisam mudar, precisam ser reestruturados”, disse.
De acordo com Haddad, o aporte de R$ 6 bilhões não deve se confirmar nessa quantia. “Esse valor, não. É valor inferior a esse pelo que eu sei”, declarou.