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Política e Gestão

Lula barra penduricalho no serviço público

por Editor 19 de fevereiro de 2026
19 de fevereiro de 2026 0 comentários
O Congresso retoma suas atividades nesta segunda-feira após o recesso já com estranhamento entre o Legislativo e o Executivo em torno da execução das emendas orçamentárias, cujas irregularidades vêm sendo investigadas pela Polícia Federal. Críticas da ministra do Planejamento, Simone Tebet, de que o Congresso "sequestra" os recursos orçamentários, foram rebatidas pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. O Congresso terá que analisar vetos de Lula | Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
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A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de vetar parte do projeto que previa benefícios extras, os chamados “penduricalhos”, e reajustes futuros para servidores do Congresso Nacional e do Tribunal de Contas da União (TCU) expôs um ponto central da política salarial do setor público: o efeito cascata.

Embora tenha sancionado o aumento de cerca de 9% para 2026, Lula barrou reajustes previstos para 2027, 2028 e 2029, além de benefícios como a licença compensatória e pagamentos retroativos. O argumento do governo foi a necessidade de respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que impede a criação de despesas obrigatórias no fim do mandato.

Importante destacar que reajustes concedidos a carreiras do Legislativo e do Judiciário costumam servir de referência para outras categorias do serviço público. A cada avanço em gratificações ou adicionais para servidores públicos, abre-se espaço para reivindicações semelhantes em outros órgãos, pressionando o orçamento da União.

R$ 33 bilhões

Desde maio de 2025, projetos aprovados no Congresso já representaram um acréscimo de R$ 33 bilhões em gastos com o funcionalismo, ao prever reajustes para servidores dos Três Poderes e a criação de cargos e gratificações. O projeto parcialmente vetado teria impacto de R$ 790 milhões em 2026.

Licença compensatória

O presidente também barrou a criação de licença compensatória com possibilidade de conversão em verbas pagas, resultando em valores que poderiam ultrapassar o teto constitucional do serviço público, hoje em R$ 46,3 mil.

Entre os pontos vetados está a criação de uma licença compensatória destinada a servidores que acumulassem funções ou atividades extraordinárias. O texto aprovado pelo Congresso previa a possibilidade de converter dias de folga em pagamentos.

Também foram vetadas regras que autorizavam pagamentos retroativos de despesas continuadas e dispositivos que alteravam a forma de cálculo de aposentadorias e pensões.

Atrito político

O veto do presidente Lula pode gerar atrito político. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), participou da reunião que pautou a proposta e deu aval ao encaminhamento. O Palácio do Planalto, por sua vez, nega qualquer acordo para reajuste de servidores.

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