O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 2,73% em abril, após registrar alta de 0,52% em março, informou na quarta-feira (29) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o indicador acumula avanço de 2,93% no ano e variação de 0,61% em 12 meses. Em abril de 2025, o índice havia registrado alta de 0,24% no mês e acumulava 8,50% em 12 meses.
O IGP-M é aguardado por alguns segmentos do mercado pois é utilizado como referência em alguns contratos de aluguel, tarifas e reajustes.
Para o professor de economia do Ibmec Brasília,Renan Silva, os números da”inflação do aluguel” são de “saltar aos olhos”, especialmente vindo de uma base de 0,52%no mês anterior. “Apreocupação não deve recair sobre o número cheio de 12 meses [0,61%], que ainda parece baixo, mas sim sobre a velocidade da aceleração recente”
O IGP-M é composto por três subíndices com pesos diferentes:1. IPA (Produtor): 60%,IPC (Consumidor): 30% eINCC (Construção): 10%.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), componente com maior peso no cálculo do IGP-M, passou de 0,39% em março para 3,57% em abril. No estágio de bens finais, a taxa saiu de 0,70% para 1,35%. O grupo alimentos processados passou de 1,43% para 1,91%. Excluindo alimentos in natura e combustíveis para o consumo, o núcleo de bens finais avançou de 0,42% para 0,59%.
No grupo bens intermediários, a taxa variou de -0,11% em março para 1,25% em abril. O principal movimento veio do subgrupo materiais e componentes para a manufatura, que passou de -0,25% para 1,44%. O núcleo de bens intermediários saiu de 0,20% para 0,64%.
No estágio das matérias-primas brutas, a taxa passou de 0,58% em março para 8,13% em abril. Entre os itens com maiores variações estão minério de ferro, bovinos e soja em grão. Em sentido oposto, apresentaram desaceleração itens como arroz em casca e aves.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) desacelerou de 0,80% em março para 0,46% em abril. Das oito classes de despesa pesquisadas, cinco registraram recuo nas taxas de variação: habitação, transportes, alimentação, despesas diversas e comunicação. Houve avanço em educação, leitura e recreação, saúde e cuidados pessoais e vestuário.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) subiu 0,59% em abril, após alta de 0,38% em março. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços passou de 0,41% para 0,51%. O custo da mão de obra variou de 0,34% para 0,67%.
“Acredito que o grande vilão seja o IPA (Índice de Preços ao Produtor), que disparou para 3,57% em abril. É aqui que os conflitos geopolíticos e a instabilidade global mostram sua face mais agressiva.
As guerras e tensões internacionais costumam pressionar os preços de energia e matérias-primas básicas.” – cita Renan.
Segundo a FGV, o período de coleta de preços para o resultado de abril foi de 21 de março a 20 de abril.