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Economia e Orçamento

1º de Maio: estudos destacam projetos que podem melhorar a vida dos trabalhadores

por Editor 1 de maio de 2026
1 de maio de 2026 0 comentários
Análises apontam para a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências, capazes de equilibrar eficiência econômica, inclusão social e proteção ao trabalhador em um cenário de mudanças estruturais | Foto: Arquivo/Agência Brasil
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No Dia do Trabalhador, o debate sobre o futuro do trabalho ganha novos contornos à luz de evidências recentes. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ajudam a qualificar discussões que vão da possível redução da jornada 6×1 aos custos do transporte coletivo no orçamento das famílias, passando por lacunas na produção de dados sobre a população trans e pelas transformações em curso no mercado de trabalho. Em comum, as análises apontam para a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências, capazes de equilibrar eficiência econômica, inclusão social e proteção ao trabalhador em um cenário de mudanças estruturais.

Fim da jornada 6×1 em debate

Referência no debate sobre a redução da jornada de trabalho, o Ipea analisou os efeitos econômicos da eventual redução da jornada hoje predominante de 44 horas semanais, associada à escala 6×1. Os custos de uma eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam similares aos impactos observados em reajustes históricos do salário-mínimo no Brasil, o que indica uma capacidade de absorção da medida pelo mercado de trabalho.

Considerando os grandes setores, como indústria e comércio, nos quais estão mais de 13 milhões de trabalhadores, o impacto direto de uma redução da jornada para 40 horas seria inferior a 1% do custo operacional. Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica.

A análise feita pelos técnicos de planejamento e pesquisa Felipe Pateo e Joana Melo e pela bolsista Juliane Círiaco trata a redução da jornada de trabalho como um aumento do custo da hora trabalhada, adotando uma abordagem distinta de parte da literatura acadêmica, que tende a associar a redução da jornada a uma queda automática do PIB.

Os autores argumentam que não necessariamente o aumento do custo do trabalho implica redução da produção ou aumento de desemprego. Segundo eles, o Brasil já enfrentou choques relevantes no custo do trabalho, como os associados a aumentos do salário-mínimo. Aumentos reais, que chegaram a 12% em 2001, 7,6% em 2012 e 5,6% em 2024, não causaram efeitos negativos sobre o nível de emprego. A redução da jornada de trabalho prevista na Constituição de 1988 também não teve impacto negativo sobre o emprego.

Peso do transporte no bolso do trabalhador

A criação de uma contribuição social sobre a folha de pagamento para financiar o transporte coletivo e seus efeitos distributivos potenciais também foi foco de um estudo recente. A proposta tem ganhado força no debate público e tem grande importância para o trabalho brasileiro: os gastos com transporte podem comprometer até 20% do orçamento dos trabalhadores de baixa renda.

O estudo indica que o instrumento apresenta potencial para ampliar o financiamento do setor e reduzir tarifas, bem como produz um efeito distributivo que potencialmente beneficiaria a população de baixa renda, que é a maior usuária do transporte coletivo.

As simulações indicam que mesmo alíquotas abaixo de 1% poderiam gerar receitas expressivas. Em cenários analisados, uma contribuição entre 0,5% e 1% sobre a folha de pagamento seria suficiente para ampliar de forma significativa o volume atual de subsídios ao setor em diversas cidades.

Dados oficiais revelam lacunas sobre população trans
Um estudo do Ipea mapeou sistematicamente as bases de dados oficiais que registram informações relacionadas a pessoas trans no Brasil , inclusive sobre mercado de trabalho. Intitulado A representação de pessoas trans nas bases de dados oficiais do Brasil, o estudo identificou doze fontes federais, distribuídas em seis eixos de políticas públicas: registros de identidade; assistência social; educação; saúde; trabalho e previdência; e vitimização e direitos humanos.

Mas nos registros ligados ao trabalho e à previdência, como Rais e CNIS, o estudo mostrou que a inclusão do nome social ocorreu de forma tardia e incompleta. Embora o eSocial tenha incorporado esse campo, os dados continuam sendo majoritariamente sigilosos e pouco acessíveis para fins analíticos.

Mercado de trabalho em foco

O Ipea também produz o Boletim Mercado de Trabalho . A última edição trouxe reflexões sobre os caminhos para proteger o trabalhador brasileiro, dos jovens em busca do primeiro emprego às pessoas que enfrentam o desemprego. Fatores que condicionam a trajetória do egresso de programas de aprendizagem no mercado de trabalho foram analisados em um dos artigos.

O levantamento, com base na RAIS (2008–2018), mostra que a intensidade da aprendizagem é o principal determinante da trajetória pós-programa. Jovens que permanecem mais tempo como aprendizes (3º tercil de duração) têm 36,8% mais chance de conseguir o primeiro emprego formal e risco 4,2% menor de desligamento desse primeiro emprego, em comparação aos que ficam menos tempo (1º tercil). Entre os demais fatores, homens ingressam um pouco mais rápido no primeiro emprego (chance 4,3% maior) e jovens de 19 a 24 anos apresentam 40,1% mais probabilidade de admissão do que os mais novos. Durante o contrato de aprendizagem, homens e indivíduos mais velhos têm menor risco de desligamento, enquanto ocupações industriais exibem maior chance de encerramento do vínculo.

A edição nº 80 do BMT também mostra o cenário do mercado de trabalho no país. A força de trabalho (total de pessoas acima de 14 anos que estão empregadas ou procurando emprego) alcançou 108,6 milhões de pessoas, o equivalente a 62,4% da população em idade ativa, enquanto o número de ocupados chegou a 102,3 milhões, correspondendo a 94,2% da força de trabalho.

A taxa de ocupação — proporção de pessoas empregadas em relação à população em idade ativa — atingiu 58,8% no segundo trimestre de 2025, o maior nível para o período em toda a série histórica e três pontos percentuais acima do patamar pré-pandemia. A taxa de participação – parcela da força de trabalho na população em idade ativa – também cresceu, registrando 62,4%, com alta de 0,3 ponto percentual na comparação anual.

A próxima edição do BMT será lançada no dia 6 de maio, das 15h30 às 17h30, com debates sobre inteligência artificial e mais, em Brasília (sala Ana Bete) e na Gerência Regional no Rio de Janeiro.A

Alguns projetos sobre o mundo do trabalho

Além de estudos recentes sobre trabalho e emprego, o Ipea tem projetos que geram dados sobre o tema de forma contínua. O Atlas do Estado Brasileiro , por exemplo, é uma plataforma de dados integrados sobre o funcionalismo público, em seus três níveis federativos (federal, estadual e municipal) e dos três Poderes. Além do trabalho de integrar dados, o propósito da plataforma é detalhar, analisar e disponibilizar as informações, de forma estruturada, ao público interessado.

Já o projeto Acesso a Oportunidades traz estimativas de acesso a postos de emprego, saúde e educação por modo de transporte para as maiores cidades do Brasil. A pesquisa utiliza diferentes indicadores para estimar as condições de acessibilidade urbana desagregadas por grupos socioeconômicos e em alta resolução espacial.

Enquanto isso, o Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça visa disponibilizar informações sobre a situação de mulheres, homens, negros e brancos no Brasil. Para tanto, apresenta indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, sobre diferentes campos da vida social, de forma a oferecer um panorama atual das desigualdades de gênero e raça no país e suas interseccionalidades.

*com informações da Agência Gov

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