No primeiro trimestre de 2026, o sistema de consórcios movimentou R$ 129,16 bilhões em negócios no Brasil, alta de 22,6% em relação aos R$ 105,38 bilhões registrados no mesmo período de 2025. No intervalo entre janeiro e março, também foram vendidas 1,38 milhão de cotas, avanço de 12,2% frente a 1,23 milhão no ano anterior, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).
Outro indicador em crescimento foi o número de participantes ativos, que alcançou novo recorde histórico em março. O total chegou a 12,93 milhões de consorciados, aumento de 13% na comparação com os 11,44 milhões registrados no mesmo mês de 2025. Em relação a janeiro de 2022, quando havia 8,21 milhões de participantes, a expansão acumulada foi de 57,5%.
Segundo a entidade, a sequência de crescimento resultou em 50 recordes consecutivos no número de consorciados ativos em pouco mais de quatro anos, com exceção de abril de 2023.
As contemplações — momento em que o crédito é liberado para aquisição de bens ou serviços — somaram 481,67 mil no trimestre, patamar próximo das 485,57 mil verificadas entre janeiro e março de 2025. Os créditos concedidos totalizaram R$ 34,29 bilhões, alta de 8,3% sobre os R$ 31,67 bilhões do ano anterior.
O tíquete médio em março foi de R$ 97,48 mil, crescimento de 14,5% em relação aos R$ 85,11 mil registrados no mesmo mês de 2025. Na comparação com março de 2022, quando o valor médio era de R$ 64,34 mil, a valorização nominal foi de 51,5%. Descontada a inflação acumulada de 21,4% pelo IPCA no período, a elevação real foi de 24,8%.
“No primeiro trimestre, notou-se uma retomada mais forte dos negócios, mesmo com pequena influência da desaceleração da economia e inflação em alta. No cenário geral, a maioria dos indicadores do Sistema de Consórcios registrou crescimento”, afirmou o presidente-executivo da ABAC, Paulo Roberto Rossi, em nota.
Novas cotas
Em março, foram comercializadas 505,61 mil cotas, terceiro maior volume mensal dos últimos dez anos. Os maiores resultados anteriores haviam sido registrados em outubro de 2025, com 518,18 mil cotas, e em setembro de 2025, com 507,14 mil.
No acumulado do trimestre, as vendas de cotas ficaram distribuídas da seguinte forma: 493,59 mil em veículos leves; 390,93 mil em imóveis; 382,88 mil em motocicletas; 54,36 mil em eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; 40,61 mil em veículos pesados; e 16,33 mil em serviços.
Entre os segmentos, quatro registraram crescimento nas vendas: eletroeletrônicos e bens móveis duráveis (44,9%), imóveis (37,3%), serviços (18,9%) e motocicletas (7,2%). Veículos leves ficaram estáveis, enquanto veículos pesados recuaram 10,1%.
Contemplações
Nas contemplações, a divisão setorial foi de 208,02 mil em veículos leves; 181,97 mil em motocicletas; 45,17 mil em imóveis; 28,30 mil em veículos pesados; 9,44 mil em eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 8,77 mil em serviços.
Participantes
Do total de participantes ativos em março, 41,9% estavam em veículos leves, equivalente a 5,42 milhões de pessoas. Motocicletas representaram 25,2%, com 3,26 milhões; imóveis, 22,9%, com 2,96 milhões; veículos pesados, 7%, com 905,36 mil; eletroeletrônicos, 2%, com 253,02 mil; e serviços, 1%, com 132,99 mil.
Mercados
A entidade também estimou a participação do consórcio em diferentes mercados. No setor de veículos leves, as contemplações corresponderam potencialmente a um em cada três veículos vendidos no país entre janeiro e março. No segmento de motocicletas, a relação também foi de uma moto a cada três comercializadas no mercado interno. Entre os veículos pesados, a participação estimada para caminhões foi de 35%.
Somente para veículos automotores, foram liberados mais de R$ 25,50 bilhões em créditos no trimestre. A participação potencial foi calculada em 34,8% no setor de automóveis, utilitários e camionetas; 31,8% no mercado de motocicletas; e 35% em caminhões.
No segmento imobiliário, no primeiro bimestre de 2026, as contemplações representaram potencialmente 30,1% de participação sobre o total de 101,31 mil imóveis financiados com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e dos consórcios.